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A previsão do tempo em que a sociedade está costumeiramente mais familiarizada é a previsão atmosférica baseada na escala de dias, como por exemplo, a previsão se vai chover ou não no final de semana. Entretanto, no Brasil, verifica-se ainda a falta de conhecimento no que se refere à previsão meteorológica para a escala de poucas horas adiante, isto é, considerando um futuro bem próximo. Nacionalmente, observa-se uma acentuada quantidade de municípios que apresentam escorregamentos de massa e inundações de forma recorrente, originados, principalmente, na presença de sistemas meteorológicos que favorecem a formação de altos volumes de chuva.
Eventos meteorológicos extremos, como chuvas intensas, ondas de calor, e secas prolongadas têm se tornado mais frequentes e intensos em várias partes do globo em função das mudanças climáticas vigentes. Nesse ano de 2022, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) traz como tema do Dia Meteorológico Mundial (23 de março), o Aviso Prévio e a Ação Antecipada (Early Warning and Early Action), visando fortalecer a importância do monitoramento contínuo do tempo e a emissão de alertas antecipados das condições atmosféricas que possam ocasionar desastres, perdas humanas e prejuízos socioeconômicos, auxiliando, principalmente, os tomadores de decisão para o gerenciamento de crises.
Nesse contexto, faz-se necessário compreender a importância relacionada à previsão de curtíssimo prazo do tempo (‘imediato’ ou simplesmente ‘nowcasting’ na linguagem meteorológica), principalmente no que diz respeito ao reconhecimento de condições atmosféricas que possam originar desastres e/ou situações de calamidade pública em uma determinada região. Especificamente no que se refere à Meteorologia, com o crescimento da capacidade computacional e das redes observacionais, principalmente oriundas das técnicas de sensoriamento remoto, paulatinamente mais ferramentas capazes de fornecer informações acerca do panorama da atmosfera têm sido desenvolvidas. Dessa maneira, as equipes de monitoramento são capacitadas para uma melhor avaliação da atmosfera e da sua potencialidade para a formação de eventos meteorológicos extremos.
De acordo com a OMM, a previsão de curtíssimo prazo pode ser definida como uma previsão do tempo com detalhes locais, por qualquer método, durante um período desde o presente até 6 horas adiante, incluindo uma análise detalhada do estado atual da atmosfera. Focada, especialmente, em caracterizar condições atmosféricas adversas, a previsão imediata utiliza observações de superfície e altitude, dados de radar meteorológico, satélites, modelos numéricos de alta resolução, sensores de descargas atmosféricas, instrumentos não convencionais e Inteligência Artificial.
Recentemente, o Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) passou a contar com o Laboratório de Previsão de Curtíssimo Prazo e Eventos Extremos (LACPEX), com atividades voltadas ao ensino e à pesquisa de técnicas de nowcasting e ao estudo da variabilidade climática das características dinâmicas e termodinâmicas da atmosfera, favoráveis à ocorrência de eventos meteorológicos extremos. Um reforço extremamente importante e urgente aos já estabelecidos laboratórios (LADSIN, LAGRO, LASA, LMA, LPM, etc.) que atuam em outras áreas da Meteorologia com diversas aplicações (Agrometeorologia, Meteorologia Dinâmica, Meteorologia Sinótica, Modelagem Numérica, Oceanografia, Poluição do Ar, Sensoriamento Remoto, entre outras).
Apesar da sua grande importância no dia a dia da sociedade, o nowcasting é um dos ramos relativamente novos da Meteorologia. Assim, informações relevantes para a sua eficácia ainda estão sendo cada vez mais estudadas em detalhes, como, por exemplo, os processos físicos no interior das nuvens e a sua representação através dos modelos numéricos e dos dados de sensoriamento remoto, os quais definem a morfologia e os traços de severidade associados aos sistemas meteorológicos (ainda não existem medidas diretas desses parâmetros).
Além disso, verifica-se ainda os iminentes desafios associados à modelagem numérica dos sistemas convectivos e a sua previsão em curtíssimo prazo, uma vez que isso depende das análises (assimilação de dados) provenientes de dados de radares e satélites e a alta variabilidade espaço-temporal associada aos mesmos. Nesse contexto, iniciativas utilizando as técnicas de Inteligência Artificial, considerando os processos físicos não lineares da atmosfera, se apresentam como ferramentas de grande potencialidade para o reconhecimento de condições meteorológicas críticas, a emissão prévia dos alertas e consequentes ações antecipadas.
Para comemorar o Dia Meteorológico Mundial, é preciso reconhecer os avanços, mas também compreender as necessidades de melhoria. Diminuir os abismos tecnológicos, humanos e logísticos para que cada vez mais o estado da arte dentro das academias possa não apenas atingir o mais alto grau de excelência, mas preparar os Meteorologistas para o enfrentamento diário, o qual a sociedade espera e confia. É preciso estreitar o espaço entre o operacional e a academia, para que juntos, seja possível conhecer e prever o tempo com antecedência. É preciso termos profissionais habilitados para as funções operativas, bem como educar e respaldar a população para os eventos severos.
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