
Frotas de ônibus para além do transporte
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Desde o ano de 2014 a natureza vem nos dando o alerta sobre o risco no colapso ao abastecimento de água, como aconteceu em São Paulo, onde foi necessário, naquela época, a implantação de um racionamento para se poder garantir água no período crítico da estiagem para toda a população humana. As autoridades alegam que o problema é a escassez de chuvas, baseado no nível mínimo dos reservatórios artificiais de acumulação de água gerados pela construção das grandes e médias barragens. O que precisamos entender é que as chuvas, que correspondem ao input (entrada) de água doce na bacia hidrográfica, têm a ver com processos aleatórios e não ocorrem igualmente o ano todo. Dentro do ano hidrológico, que vai do início do período chuvoso ao final do período de estiagem, constatamos na Região Sudeste do Brasil, por exemplo, que o período chuvoso (TC) é de 4 a 5 meses e o período de estiagem (TE) de 7 a 8 meses. Essas chuvas geram as vazões dos rios (que abastecem os reservatórios artificialmente formados das barragens das hidrelétricas, de abastecimento de água humano e de irrigação), como mostrado na Figura 1. Nesta figura, está indicado que as vazões fluviais no período chuvoso (TC) são geradas por alimentação hídrica superficial (DS) e subterrânea (escoamento base DB1), enquanto no período de estiagem do ano hidrológico, a única alimentação de água efetiva ao rio é a proveniente da água subterrânea (escoamento base DB2).
Não adianta chover para se ter água doce; é preciso ter a floresta, que absorve em torno de 80 % das águas de chuva e as infiltra no solo, amortecendo as enchentes fluviais no período chuvoso do ano hidrológico. Desta forma, os lençóis de água subterrâneos são recarregados naturalmente, e são os aquíferos freáticos que irão garantir as vazões dos rios no período de estiagem do ano hidrológico, realizando a regularização hídrica fluvial natural, com amortecimento das inundações nos períodos chuvosos e aumento das vazões e níveis d’água dos rios nos períodos de estiagem. O ser humano pode implantar nas bacias hidrográficas já degradadas as intervenções de recarga artificial da água subterrânea, através de valas de infiltração, bacias de recarga e outras obras similares, reproduzindo artificialmente este importante serviço ambiental realizado pelas florestas, que é o de reter grande parte das águas de chuva e recarregar nos lençóis de água subterrâneos.
Quando a bacia hidrográfica se encontra desmatada e impermeabilizada, há um impacto ambiental negativo profundo na gênese das águas fluviais naturais, com um incremento das inundações nos períodos chuvosos e da escassez de água durante os períodos de estiagem do ano hidrológico. A bacia hidrográfica degradada pelo desmatamento, que gera o desnudamento, a impermeabilização e a erosão do solo, aumenta o regime de vazões dos rios agravando as inundações, e essa água valiosa das chuvas não fica retida na bacia hidrográfica, indo em direção ao mar. A consequência desses processos de degradação ambiental da bacia hidrográfica é a redução de níveis d’água e vazões dos rios no período de estiagem, podendo comprometer o abastecimento de água, a geração de energia das hidrelétricas e de água para irrigação nessa bacia hidrográfica degradada.
Figura 1 – Hidrograma genérico de um rio ao longo de um ano hidrológico
Fonte: OTTONI, 1996.
Chove muito aqui no Brasil (com exceção do semiárido nordestino), acima de 1200 mm anuais. A consequência desses fatores adversos de degradação da bacia hidrográfica dos reservatórios das hidrelétricas e das barragens para abastecimento de água, é que naquele ano em que chover um pouco menos, pode haver escassez de água, e no ano que chover um pouco mais haverá inundações com calamidade pública. A população e o meio ambiente ficam totalmente vulneráveis a esse processo descontrolado de degradação das nossas bacias hidrográficas. O problema é bastante sério e não é necessariamente escassez de chuvas. Na Figura 2 está mostrado, como exemplo, o mapa de uso e ocupação do solo da bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul, um dos mais importantes mananciais hídricos da Região Sudeste do Brasil, e que possui várias barragens e reservatórios artificialmente formados, e tem sua bacia hidrográfica com mais de 70% de desmatamento, em grande parte, com pastagens abandonadas, como mostrado na Figura 2. A erosão do solo na bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul é intensa, poluindo e assoreando o rio. Além disso, existem muitas atividades de lançamento de poluição nesse rio através de efluentes industriais, esgotos sanitários, resíduos de mineração, e pesticidas e fertilizantes, que são carreados para o rio nas práticas agrícolas perniciosas.
Figura 2 – Mapa de uso e ocupação do solo da bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul
Fonte CEIVAP, 2006.
As bacias hidrográficas desses grandes reservatórios das hidrelétricas brasileiras estão doentes, com pouca capacidade de produção de água doce e de boa qualidade, seja pelo elevado desmatamento, e impermeabilização e erosão do solo, seja pela poluição de origens pontual e difusa. As autoridades justificam a falta de chuvas como principal motivo para implantar o aumento das tarifas de energia elétrica, inclusive com riscos de racionamento de água e energia elétrica. Não estamos de acordo com essa afirmação. Mesmo em um ano em que possa ter chovido menos, mas, como dissemos, as chuvas médias no Brasil são acima de 1200 mm anuais; tanto que no período chuvoso de todos os anos ocorrem inundações com calamidade pública em várias regiões do Brasil e nas próprias bacias hidrográficas desses reservatórios de acumulação hídrica. Portanto, o principal problema da crise hídrica no Brasil não é por falta de chuvas, mas principalmente pela degradação crescente das bacias hidrográficas dos reservatórios dessas barragens de acumulação hídrica. O Governo Federal irá incrementar mais produção de energia pelas termelétricas, que é uma energia mais cara e mais poluente (à base de óleo diesel ou gás natural), e a população terá de pagar a tarifa de energia elétrica mais cara da bandeira vermelha. Ou seja, a população e o meio ambiente que terão de pagar o preço pelo descaso das autoridades responsáveis pela preservação das bacias hidrográficas, que é a principal causa dessa crise hídrica no Brasil? Em nosso entender, devem ser priorizados programas específicos, com garantias de verba orçamentária, para se investir na recuperação ambiental das bacias hidrográficas a montante dos reservatórios das hidrelétricas, para se garantir mais água nesses reservatórios nos períodos de estiagem, para evitar futuros racionamentos de energia elétrica e apagões. Analogamente, devem ser priorizadas intervenções para a recuperação da qualidade e quantidade de água dos mananciais hídricos que abastecem a população, garantindo a sustentabilidade ambiental para o sistema e evitando futuras crises hídricas.
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