
Mudanças climáticas e um novo paradigma para as barragens
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“Vem chegando o verão. O calor no coração. Essa magia colorida, coisas da vida…”;
(Marina Lima)
A atual estação de verão iniciou no dia 22 de dezembro de 2021 e irá até o dia 20 de março de 2022. Normalmente, a estação é caracterizada na cidade do Rio de Janeiro por dias quentes e úmidos com valores de temperatura do ar que chegam a alcançar os 40°C, com pancadas de chuva que podem ocorrer no final do dia, mas que são distribuídas irregularmente pela cidade.
Em geral, os sites de turismo enaltecem as praias, as festas, o carnaval e um outro tanto de prazeres que podem ser vividos na Cidade Maravilhosa. Entretanto, a cidade é grande, mal planejada e as maravilhas estão restritas somente a alguns bairros privilegiados da Zona Sul e parte da Zona Oeste.
Ao longo das últimas décadas, a cidade cresceu e zonas antes verdeadas foram ocupadas por grandes vias, construções e pela conversão de uso do solo sem a observância de critérios técnico-científicos e sustentáveis, promovendo acessos desiguais à urbanidade e ao conforto ambiental.
Os resultados estão aí e vêm sendo monitorados ao longo das últimas décadas e publicados em diversos trabalhos no nosso laboratório, principalmente em relação à temperatura da superfície que no verão pode alcançar valores superiores a 50°C em alguns bairros da cidade (www.lasa.ufrj.br).
O último relatório do IPCC (2020) chama atenção para o aumento das ondas de calor, as quais estão associadas a elevadas taxas de mortalidade da população, o que demanda especial atenção e importância estratégica para a identificação de áreas já submetidas a um desconforto térmico. Outro resultado interessante é que a cidade tem ficado mais quente e com menos chuvas durante os verões.
Uma pergunta que podemos responder é: “como os cariocas de vários bairros sentem ‘na pele’ o verão? Todos sentem o mesmo calor?”
Daí vem à memória uma outra música: “Rio 40 graus, Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos.” (Carlos Cesar Laufer / Fausto Fawcett / Fernanda Sampaio Abreu)
É importante entendermos a noção de conforto térmico. Cada pessoa pode ter uma percepção diferente em relação a sua sensação de calor. De uma forma geral, o conforto térmico é influenciado por fatores físicos ou ambientais, como a temperatura do ar, a temperatura radiativa, que nada mais é que o calor irradiado de um objeto quente, a velocidade do ar e a umidade. Além dos fatores físicos, é importante que consideremos alguns fatores pessoais como o metabolismo e as vestimentas usadas. As características físicas individuais devem ser levadas em consideração, pois fatores como tamanho, peso, idade, nível de condicionamento físico e sexo podem causar impactos diferenciados, mesmo que outros fatores ambientais sejam constantes.
Os piores cenários de desconforto térmico estão associados a valores elevados de temperatura do ar e alta umidade, pois ambientes com alto valor de umidade relativa, possuem muito vapor no ar, o que dificulta a evaporação do suor da pele que é o principal mecanismo de resfriamento do corpo.
A partir dos dados do sensor MODIS embarcados nos satélites TERRA e AQUA com resolução de 1 km², foram produzidos mapas dos campos de temperatura do ar média a partir dos dados de temperatura da superfície para os últimos 5 anos. Em seguida estabelecemos um mapa de conforto térmico por regiões da cidade. Analisando a figura fica claro que o frescor do mar não é para todos!
Moradores dos bairros da Zona Oeste como Vila Militar, Realengo, Bangu, Senador Camará, Santíssimo, Campo Grande e Santa Cruz habitualmente convivem com temperaturas do ar média acima dos 35°C, muitas vezes associados a valores de temperatura da superfície acima dos 50°C e com um grande desconforto térmico. O mesmo ocorrendo para bairros da Zona Norte e bairro próximos à Baixada Fluminense, como Irajá, Coelho Neto, Anchieta, Pavuna, Brás de Pina e Vigário Geral.
No verão, mesmo os bairros da Zona Sul e parte da Barra da Tijuca, na Zona Oeste, ainda sofrem um desconforto térmico considerável. Ou seja, no verão do Rio de Janeiro, todos, democraticamente, passam por algum tipo de desconforto térmico.
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