
Mudanças climáticas e um novo paradigma para as barragens
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A atmosfera tem um papel fundamental para a preservação da vida. Sem conhecê-la a fundo, não se prevê o seu comportamento a curto prazo, nem as suas tendencias a médio e a longo prazo. Entender também o papel do profissional meteorologista, que trabalha em conjunto com tantas outras profissões, é respeitar as análises, as ações e assumir as consequências delas.
A atmosfera, que adquire características das diferentes superfícies, transporta as suas propriedades a longas distancias, de forma que, em si, não possui fronteiras políticas nem sociais. Modificações locais, interferem também em lugares remotos, sem a menor cerimônia.
Em 2023, a Organização Meteorológica Mundial (ligada a ONU), vem então trazendo o tema ” O FUTURO DO TEMPO, DO CLIMA E DA ÁGUA ATRAVÉS DAS GERAÇÕES” e chamando a atenção para questões de preservação e previsões de cenários atmosféricos, os quais, a sociedade já percebe que estão mudando.
A Meteorologia é um dos ramos da ciência mais importantes no estudo das mudanças climáticas, principalmente relacionado ao entendimento da base física e científica de tais alterações. Em outras palavras, o Meteorologista procura responder a seguinte pergunta: o que está acontecendo com o sistema climático terrestre e o que está sendo projetado para o futuro? Ademais, estamos preocupados com os impactos dessas mudanças e as medidas que podem ser tomadas no presente a fim de reduzir o problema para as gerações futuras. A Meteorologia domina o conhecimento da dinâmica e da termodinâmica dos sistemas atmosféricos que compõem o clima do planeta e de suas interações com os outros componentes do sistema climático terrestre, como a biosfera, a criosfera, a hidrosfera e a litosfera.
Um dos maiores impactos das mudanças climáticas é a modificação na frequência e na intensidade de eventos meteorológicos extremos, tais como ondas de calor, secas prolongadas e chuvas intensas. Além disso, eventos compostos, que são uma combinação de dois ou mais eventos, não necessariamente extremos, quando ocorrem ao mesmo tempo, podem levar a impactos extremos que são muito maiores do que a soma dos impactos individuais de cada um deles. No sexto relatório de avaliação (AR6) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) foi quantificado pela primeira vez a contribuição humana no aumento de temperatura do ar média global. Por exemplo, entre 2010 e 2019, o aumento de +1,06°C na temperatura do ar (em relação ao período 1850-1900) foi todo atribuído a fatores antropogênicos, especialmente em função da emissão de gases de efeito estufa e mudanças no uso do solo. A atribuição humana na ocorrência de eventos meteorológicos extremos também foi avaliada no AR6, verificando-se que alguns eventos extremos quentes recentes seriam improváveis de ocorrer sem a influência do ser humano no sistema climático terrestre.
As alterações no ciclo hidrológico regional e os impactos diretos na qualidade e na quantidade dos recursos hídricos locais também são relevantes efeitos decorrentes das mudanças climáticas. Pesquisas hidroclimáticas mostram que a magnitude e o tempo do escoamento superficial e da umidade do solo em algumas regiões do globo vêm sendo modificados em função das mudanças climáticas. Consequentemente, tais alterações refletem diretamente nos níveis de lagos e rios e na disponibilidade de água potável. Desse modo, futuras gerações de países em desenvolvimento poderão enfrentar um maior estresse hídrico nas próximas décadas. Em regiões como o Norte e o Nordeste do Brasil, eventos de seca agrícola e hidrológica que hoje ocorrem 1,7 vezes a cada 10 anos, são projetadas para ocorrer 4,1 vezes no final deste século. Por outro lado, chuvas intensas que hoje ocorrem 1 vez a cada 10 anos, são projetadas para ocorrer 2,7 vezes até o ano de 2100 e com aumento de 30% na intensidade.
Portanto, a Meteorologia possui um papel importante na identificação de quais eventos extremos podem se tornar mais frequentes e intensos, analisando quais seriam as alterações na circulação geral e regional da atmosfera associadas a tais eventos do ponto de vista da física do planeta, e não somente de estatísticas e/ou “coincidências” climáticas. Além disso, os pesquisadores precisam aprimorar técnicas de avaliação e quantificação de como condições meteorológicas extremas poderiam agravar a deterioração dos recursos hídricos de uma região. Em resumo, a celebração do Dia Meteorológico Mundial neste 23 de março representa a comemoração da ciência base para o estudo do clima em mudança e de seus efeitos em toda a humanidade.
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