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O solo é considerado o maior reservatório de carbono nos ecossistemas terrestres. Estima-se que o estoque global de carbono do solo corresponda a aproximadamente quatro vezes o compartimento de carbono armazenado na vegetação e 3,3 vezes o carbono da atmosfera, sendo constituído principalmente pelo carbono orgânico. Nesse contexto, destacam-se os solos orgânicos (Organossolos), que cobrem cerca de 3% da superfície terrestre.
No Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS), os Organossolos correspondem a uma classe de solos que apresenta horizontes de constituição orgânica, com teor de carbono orgânico no mínimo de 80 g kg-1 de solo, e que atendem a critérios de espessura de acordo com o ambiente de formação. Estima-se que o Brasil possua cerca de 10.000 km2 de Organossolos, representando pouco mais de 0,1% do território nacional.
No estado do Rio de Janeiro, esses solos apresentam pequena extensão geográfica, de aproximadamente 387 km2 de todo o território fluminense. No Parque Nacional do Itatiaia são verificados Organossolos formados em condições de baixas temperaturas denominados de Organossolos Fólicos e, por estarem associados a áreas de abastecimento de aquíferos, com fauna e flora endêmicas, devem ser destinados à preservação.
Os Organossolos possuem capacidade diferenciada de armazenar carbono e, apesar da sua elevada fragilidade, em muitos locais propiciam renda a agricultores familiares e a comunidades locais. Exemplo disso, é a produção de alimentos por agricultores familiares no bairro Santa Cruz, na cidade do Rio de Janeiro, que se utilizam desses tipos de solos para o cultivo de hortaliças e para a cultura do coqueiro (Figuras 1a e 1b). Os Organossolos possuem, portanto, extrema importância econômica e social, já que ao estarem próximos a centros consumidores, facilitam o escoamento da produção, favorecendo a manutenção das famílias dos agricultores.
Figura 1. Preparo do terreno para plantio em área de Organossolo, ao fundo verifica-se plantio de coco (a) e área de plantio de mandioca (b).
Para o uso dos Organossolos com finalidades agrícolas em larga escala, entretanto, devem ser utilizadas técnicas voltadas à preservação dos estoques de carbono. Práticas de cultivo que envolvam a drenagem e o revolvimento do solo podem levar a perdas de matéria orgânica por oxidação, em um processo denominado de subsidência.
Dessa forma, considerando a fragilidade dos Organossolos, estudos aprofundados devem ser realizados para o desenvolvimento de práticas de manejo e conservação em escala adequada, considerando a importância desse recurso natural, não renovável (na escala da vida humana) e não substituível. A agricultura sustentável e o manejo dos recursos da terra requerem o conhecimento de suas propriedades e funções em escala apropriada para subsidiar os tomadores de decisão.
Formação dos Organossolos
Organossolos podem se formar em condições ambientais distintas, e, assim, apresentar características diferenciadas. Em ambientes altomontanos de clima úmido e frio, as baixas temperaturas retardam a decomposição da matéria orgânica, levando à formação de um horizonte orgânico denominado de “O hístico”. O espessamento desse horizonte pode levar à formação de um Organossolo Fólico (do latim folium, folha) (Figura 2).
Figura 2. Organossolo Fólico e área de ocorrência no Parque Nacional de Itatiaia – RJ.
Em ambientes continuamente saturados por água, a ausência de oxigênio favorece o acúmulo de matéria orgânica, formando horizontes orgânicos denominados “H hístico”. Com o espessamento desse horizonte, têm-se também a formação do Organossolos que podem receber classificações distintas.
Em regiões costeiras, ou quando ocorre o contato da água do mar com o lençol freático, pode haver o fornecimento de enxofre na forma de sulfato, levado a formação de Organossolos que quando submetidos à drenagem, tornam-se extremamente ácidos, sendo classificados como Organossolos Tiomórficos (Figura 3a). Aqueles que não apresentam essa característica são então denominados de Organossolos Háplicos (Figura 3b).
Figura 3. Organossolo Tiomórfico e Organossolo Háplico, no Rio de Janeiro, RJ.
A formação de Organossolos em ambientes hidromórficos é associada aos processos de terrestrialização e paludização (Figura 3). No caso dos Organossolos Fólicos, os processos de formação ainda não se encontram tão claramente definidos.
Figura 4. Formação de Organossolos em ambientes com restrições à drenagem.
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