
Agricultura e sustentabilidade na era da inteligência artificial
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O protagonismo do Agronegócio no desenvolvimento do país, principalmente neste momento difícil da retomada econômica brasileira, está diretamente ligado à modernização da agricultura brasileira, que se desenvolve, ao longo dos anos, pela aquisição de uma série de soluções tecnológicas que afetam diferentes etapas da produção agrícola.
Pesquisa* realizada em uma parceria da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) constata que 84% dos agricultores brasileiros usam, ao menos, uma tecnologia digital como ferramenta de apoio à produção agrícola.
As soluções possuem diferentes funcionalidades e envolvem, por exemplo, sensores remotos, aplicativos e internet, que permitem automatizar, rastrear ou planejar as atividades agrícolas à distância. Nesse universo, cerca de 40% dos produtores usam tecnologia para comprar e vender insumos e produção, enquanto outros 30% deles se valem de soluções digitais para mapear a lavoura e se antecipar aos riscos climáticos.
Os meios tecnológicos contribuem para o exercício e o desenvolvimento do Agronegócio, mas não substituem o engenheiro agrônomo, cujo papel é fundamental para orientar sobre as melhores técnicas e ferramentas agrícolas e para reduzir custos operacionais, preservar o meio ambiente e os profissionais do setor, bem como proteger os consumidores de eventuais danos.
Somente o especialista em Agronomia possui o conhecimento técnico e acadêmico apto a garantir que o produtor exerça o seu ofício da melhor maneira possível, e a partir de dados, instrumentos e da aplicação correta das soluções tecnológicas. A grande quantidade de informação falsa, carente de confiabilidade, ou que possa ser mal utilizada, em circulação na internet é, atualmente, uma das grandes ameaças à produção agrícola.
E, por isso mesmo, a recomendação técnica deve ficar restrita aos profissionais habilitados e reconhecidos pelos Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (Creas), também imbuídos da função de orientar sobre o uso correto de insumos e fertilizantes e da aplicação de agrotóxicos.
A presença do engenheiro agrônomo no campo se torna ainda mais fundamental quando o produtor não tem acesso à internet: 53,5% deles se encontram nessa situação, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Tecnologia da Informação e Comunicação 2018, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Outro campo em que o papel dos engenheiros agrônomos é fundamental, também, é na biotecnologia, com todas as inovações que têm chegado ao agronegócio brasileiro, como as plantas geneticamente modificadas, tolerantes a situações como seca e alagamentos, ou insetos, por exemplo.
Enfim, a Agronomia é um dos vetores para a retomada econômica nacional, pois seu exercício impacta diretamente o setor econômico do Agronegócio, que constitui parte essencial da infraestrutura do país, da produção e da exportação de produtos agrícolas, que promovem emprego e renda para o Brasil.
Por isso, foi nesse sentido, ainda, que o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e o Ministério da Educação alinharam, no início deste ano, um acordo de cooperação técnica para inserir o agronegócio no currículo de educação básica, além de fortalecer o acompanhamento dos cursos da área tecnológica nas Instituições de Ensino Superior.
Em 7 de janeiro, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, recebeu, em seu gabinete, o presidente do Confea, Joel Krüger, o presidente da Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil (Confaeab), Kleber Santos, além de conselheiros federais e outros representantes do Sistema Confea/Crea e Mútua. O encontro teve o intuito de aprimorar a formação e o exercício profissional dos Engenheiros, agrônomos e geocientistas, “tão vitais para o desenvolvimento dos vários e estratégicos setores da economia brasileira”, afirmou Krüger na reunião.
Na oportunidade, Kleber Santos ofereceu colaboração para desenvolver material didático, referente ao Agronegócio brasileiro e com conteúdos sobre a realidade do setor no currículo da educação básica, como aqueles referentes aos avanços tecnológicos conquistados, às políticas agrícolas, à sustentabilidade e à segurança alimentar.
O trabalho técnico e científico desenvolvido por pesquisadores e profissionais da Agronomia deve sempre se pautar pela excelência, motivo pelo qual qualquer iniciativa que busque esse caminho, ou seja, o da consolidação de um exercício profissional pautado nas melhores práticas e embasado em conceitos científicos sólidos, deve ser louvada.
Prova disso é que empresas como a Embrapa realizam pesquisas e trabalhos cujos resultados são determinantes para o aumento da área plantada e da produtividade agrícola brasileira, fundamental para transformar o país – que em 1950 era importador de alimentos – num grande exportador de produtos agrícolas, um autêntico player internacional do Agronegócio.
Para que continuemos no caminho do crescimento, no entanto, um aspecto fundamental deve ser considerado: o desenvolvimento do Agronegócio deve se dar, necessariamente, em harmonia com as melhores práticas sustentáveis, dado que a preservação do meio ambiente ganhou dimensão inédita nos últimos anos e se tornou um critério de peso – usado por diversas nações mais desenvolvidas do mundo, como, por exemplo, as que compõem a União Europeia – para incrementar ou desestimular o comércio com as nações produtoras.
Esse é um caminho sem volta, visto que a pressão exercida por consumidores e investidores, que exigem das nações produtoras a adoção de práticas sustentáveis, só tende a aumentar daqui para frente.
*Fonte: Com informações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).
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