
Assistência técnica para habitação de interesse popular na Ocupação Carlos Marighella
Ações empreendidas para atenuar e mitigar as consequências da precariedade da moradia em uma determinada comunidade, que consideram uma abordagem ...
Niterói – do Tupi, água escondida – era o nome comum das duas margens da Baía de Guanabara – seio de mar, por terem as mesmas características de relevo e topografia. Sua história começa com a necessidade de ocupação e povoamento de recôncavo, polo de consolidação da conquista ameaçada pela presença estrangeira, sobretudo francesa, interessada na exploração do Pau-brasil e das especiarias.
A fundação da Cidade do Rio de Janeiro, em 1º de março de 1565, por Estácio de Sá, impôs a fixação da esquadra, assim como os indígenas que trouxe do Espírito Santo – fundamentais para a defesa da terra – e os colonos que arregimentara em São Vicente. Fez-se, então, já em setembro do mesmo ano, a primeira distribuição de sesmarias da margem oriental, contemplando entre outros, Martim Paris, fundador da Fazenda do Saco de São Francisco e o primeiro colonizador, de fato, do território que hoje compreende o Município de Niterói (Fortuna,1999).
Quando, em 1808, o Coronel Luís da França apresentou ao Príncipe Regente D. João sua relação de fazendas situadas no distrito de São Gonçalo, arrolou também outras, existentes em freguesias vizinhas. Estão lá descritas, ainda que sucintamente, as fazendas de São Francisco, de propriedade do capitão Anacleto de Silva Jardim; do Morro do Cavalão, do tenente-coronel Antônio José Cardoso Ramalho; de Icaraí, de Estanislau Teixeira da Mata; e as da Praia Grande e da Restinga. Completam a lista o Aldeamento de São Lourenço, ocupado escassamente por índios e seus descendentes, com a maior parte área arrendada estranhos; a fazenda de Sant’Ana, do tenente João Antônio Muniz de Brito; uma fazenda em Maruí, de dona Ana Muniz; e uma no Barreto.
A fazenda de Icaraí era alcançada por mar (possuía desembarcadouros) e por terra, pelo caminho que vinha da Praia Grande. Este bifurcava-se perto da capela de Nossa Senhora das Necessidades: as duas trilhas atravessavam terreno plano – em parte arenoso, em parte alagadiço – cruzavam o Rio Icaraí (hoje, o canal da Rua Ary Parreiras), beirava o Canto do Rio (hoje, Comunidade ou Favela da Cotia) e juntavam-se novamente, seguindo em direção ao Morro do Cavalão, atravessando-o.
Um outro caminho, vindo também da Praia Grande, mantinha-se bem à esquerda, na aba do Cavalão. Segundo Carlos Wehrs (1984, p.192), existia um péssimo caminho atravessando o Morro do Cavalão, onde, além dos riscos materiais que ameaçavam o viajante, havia o perigo dos assaltantes, acoitados na tristemente célebre Garganta do Inferno, covil de ladrão e assassinos. Hoje em dia, de automóvel, atravessam-se os túneis Raul Veiga e Roberto Silveira (túneis de São Francisco) em apenas alguns segundos.
Antes dos túneis havia, é bem verdade, talhada no granito em muitos trechos de seus três quilômetros de extensão, a Estrada Fróes, obra do Major Luís José de Menezes Fróes (1825-1905) e por ele custeada, para facilitar o escoamento dos produtos da fazenda de sua propriedade, no Saco de São Francisco. Há alguns anos, a denominação dessa via pública mudou para Estrada Leopoldo Fróes (em homenagem ao grande artista niteroiense, sobrinho-neto do major), que por ocasião da colocação da linha de bondes elétricos (1910-1911) foi sensivelmente alargada.
O caminho que ligava a Fazenda do Cavalão à Praia de São Francisco galgava o morro do mesmo nome, atravessando-o em zigue-zague. Esse trecho permaneceu, por alguns anos, bastante estreito, com declives acentuadíssimos, além de transformar-se em atoleiro por ocasião da estação chuvosa. A denominação de Morro do Cavalão foi dada em função da necessidade da travessia do morro ser feita por animais robustos — cavalões, devido às péssimas condições reinantes no local.
Em 1840, entretanto, passou a ter largura mínima de 30 palmos (6,6 metros), foi pavimentado com pedras quadradas e areia, de forma ligeiramente abaulado e ladeado por uma vala junto ao morro para recolher as águas pluviais. Recebeu ainda, dois esgotos subterrâneos e muros de arrimo. Algumas parcelas da estrada, para manter a largura mínima, precisaram ser escavadas.
Essas melhorias realizadas graças à competência do Engenheiro Carlos Riviére e ao empenho do presidente Soares de Souza (nome de uma comunidade em Niterói, hoje popularmente chamada de Souza Soares, no final de Santa Rosa), já refletiam uma preocupação com a questão do ordenamento territorial, ambiental e social.
Localizavam-se em sua área duas grandes fazendas conhecidas como a Fazenda de Icaraí, cujo dono era Estanislau Teixeira da Mata; e a Fazenda do Cavalão, do Tenente Coronel Antonio José Cardoso Ramalho. O escoamento da produção era feito por mar, através do porto de atracação de Carahy; e por terra, até a estrada do Calimbá, em direção à Praia Grande. (Wehrs, 1984. p.18-242)
O relevo do Morro do Cavalão destaca-se como prolongamento em direção ao nordeste, unindo os bairros de Icaraí, São Francisco, Vital Brasil, Souza Soares e Santa Rosa. Este maciço granítico faz parte de um conjunto de colinas e maciços costeiros – que muitas vezes chegam a atingir a costa formando pontões – aflorando em diversas áreas, intercalados com as planícies e as baixadas vizinhas ao mar, com altitudes em torno de 200 metros (segundo Maia,1999).
Em algumas partes do Morro do Cavalão1 existem alguns remanescentes de mata, como o trecho que vai da região ainda não habitada, chamada “Divinéia”, em direção à “Grota do Surucucu”, na parte baixa da comunidade, onde predominam os conflitos dos protagonistas da comunidade, por ordenamento territorial e ambiental.
Nas décadas de 60 a 70, as metrópoles brasileiras tiveram um aumento expressivo de sua população devido ao grande fluxo migratório – principalmente dos estados nordestinos, fomentado pela expectativa de uma vida com melhores condições sociais. No Estado do Rio de Janeiro, esse processo foi incrementado, também, pelo fluxo migratório das cidades rurais do interior fluminense.
O que se viu desse movimento, entretanto, foi a criação de inúmeras comunidades populares e loteamentos clandestinos desprovidos de qualquer infraestrutura, resultando em uma sensível queda na qualidade de vida da população como um todo.
Para enfrentar o desafio proposto é preciso mobilizar potências da produção de símbolos, linguagens e experiências dos sujeitos inventivos da “comunidade do Morro do Cavalão” e da “Cotia”, sobretudo quando se considera que as existências social e cidadã das comunidades são construídas com seus laços históricos (familiares) e geográficos. Os significados impostos têm suas significações contestadas, inventadas, unidas e traduzidas em espacialidades de compartilhamentos e relacionamentos sociais. São respostas à significação e importância das comunidades na cidade e no processo hegemônico de produção do espaço urbano da atualidade, feitas nos traços da engenharia – por meio das concepções e simbolismos geográficos, que ajudam a construir a História de um lugar.
Ações empreendidas para atenuar e mitigar as consequências da precariedade da moradia em uma determinada comunidade, que consideram uma abordagem ...
Há alguns anos a ABNT tem adotado a política de emissão de norma brasileira a partir de tradução integral do ...
A adoção do trabalho híbrido por parte das empresas brasileiras vem ganhando força e, tudo indica, continuará a crescer em ...
O Novembro Azul é um movimento internacional que teve a sua origem na Austrália, em 2003, e que visa a ...