
Panorama dos aspectos técnicos de moradias autoconstruídas: uma revisão narrativa
A autoconstrução é o processo no qual os próprios moradores assumem diretamente a gestão da produção de suas moradias, adquirindo ...
Em um país onde mais de 990 mil brasileiros não possuem acesso à eletricidade na Amazônia Legal*, as energias renováveis, em especial a solar, despontam como alternativas para resolver o problema energético que essas famílias enfrentam.
Quando vinculado ao impacto coletivo, através de uma metodologia comum ao Desenvolvimento Social, que permite trocas com impactos positivos na vida de todos os envolvidos, uma luz de esperança surge em nossas perspectivas: o Litro de Luz.
*Dado retirado do Relatório “Exclusão elétrica na Amazônia Legal: Quem ainda está sem acesso à energia elétrica?” produzido pelo IEMA (Instituto de Energia e Meio Ambiente) em 2020.
Presente nas cinco regiões do Brasil, o Litro de Luz leva iluminação solar para comunidades sem acesso à energia ou sem iluminação nas ruas por meio de postes, lampiões, entre outras soluções solares feitas com materiais simples como garrafa PET e canos PVC, além de placa solar, bateria e LED.
As soluções são simples, baratas e de fácil montagem. Além disso, como parte do impacto da instituição, os próprios moradores são chamados à ação como agentes transformadores, ficando responsáveis pela montagem das soluções. Todo esse processo é feito com auxílio de um voluntário e posterior vistoria da equipe técnica do Litro de Luz, que garante o funcionamento e padrão de qualidade exigido.
Pensando, ainda, na inclusão e acessibilidade da ação, o Litro de Luz conta com manuais produzidos a partir de imagens explicativas e peças em tamanho real, escalonando a montagem das soluções entre crianças e idosos.
Sobre as soluções, existem duas que, comumente, são instaladas durante ações em comunidades: postes solares e lampiões. O poste solar funciona através de um circuito controlador durante toda a noite, com autonomia de cerca de três noites, por dois anos e meio. Já o lampião, que funciona por meio de uma placa solar móvel que pode ser conectada como um “carregador de celular”, possui autonomia de mais de 10h. Com utilização recomendada de 4h por dia, é de fácil manuseio e pode ser utilizado dentro e fora das residências.
As ações do Litro de Luz começam bem antes do dia de instalar as soluções. Durante a construção do relacionamento com as comunidades, lideranças locais e moradores engajados são identificados para se tornarem Embaixadores do Litro de Luz. Depois de aceitarem o convite, passam por uma formação técnica na qual aprendem a solucionar possíveis problemas, que soluções podem apresentar, bem como conceitos básicos de eletricidade.
Além dessa formação, os embaixadores dão início a uma Rede de Embaixadores, que eventualmente participam de atividades em outros estados, encontrando assim, a unidade de um mesmo propósito, na diversidade de tanta gente envolvida em solucionar os problemas das comunidades.
É muito comum presenciarmos histórias emocionantes durante as ações, como a da Dona Luiza, moradora de Dominguinhos (AM). Antes da nossa visita à comunidade, ela tinha um alto gasto mensal na compra de velas, além do medo de engasgar com as espinhas de peixes que não eram vistas no escuro, fato que alterava toda a rotina da família, que jantava antes do sol se pôr. Depois da ação, Dona Luiza contou que, com o lampião do Litro de Luz, ela e a família poderiam jantar mais tarde, sem se preocupar com a falta de iluminação e o risco de acidentes de engasgo.
Em alguns casos, o Litro de Luz acaba impactando o desenvolvimento financeiro das comunidades atendidas. A família da Priscila, moradora do Jardim Gramacho, comunidade localizada em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, região que já abrigou o maior lixão da América Latina, é um exemplo. Dona de um pequeno comércio, ela teve um aumento considerável na sua renda familiar depois que voluntários do Litro de Luz instalaram um poste solar em frente à loja. Com a iluminação da fachada, o horário de funcionamento do seu negócio pôde ser estendido, atendendo a mais pessoas da comunidade.
Outro caso é o do Vanildo e da Josiele, moradores do Quilombo Santa Izabel e Santa Justina, em Mangaratiba (RJ). Em um vídeo enviado por eles, o lampião do Litro de Luz iluminava a casa de moagem enquanto eles preparavam a farinha de mandioca. Podendo trabalhar até mais tarde, eles conseguiram aumentar a produção e, assim como a Priscila, incrementaram a renda da família, tendo mais eficiência na jornada de trabalho.
Já na comunidade São Domingos, localizada no território Kalunga, maior área quilombola do Brasil, que fica em Goiás, o impacto foi outro: recebemos inúmeros relatos de mães e professoras contando como os lampiões do Litro de Luz ajudavam os alunos a aproveitar também o período noturno para estudar. Além de mais tempo para se dedicar aos deveres de casa, as crianças ainda evitavam a inalação da fumaça emitida a partir do uso do lampião de querosene.
Os impactos das ações do Litro de Luz são diversos, como relatado acima, mas vai muito além. Um momento marcante na minha trajetória, é que eu e outros voluntários fomos convidados para participar do batismo de crianças e da benção de alimentos na Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka’Aguy Ovy Porã), localizada em Maricá, no Rio de Janeiro. Durante toda a cerimônia, o lampião foi a fonte de luz que iluminou o espaço e possibilitou a realização da cerimônia.
A organização é um dos mais de 15 capítulos do movimento global Liter of Light, nascido nas Filipinas em 2011 e inspirado na solução criada em 2001 pelo mecânico brasileiro Alfredo Moser, a “Lâmpada de Moser”, que consiste numa garrafa pet no telhado abastecida com água e alvejante, que por meio da refração proporciona uma iluminação equivalente a uma lâmpada de 60 watts.
No mundo, mais de 1 milhão de pessoas já foram impactadas pelo Liter of Light, trabalho reconhecido por importantes premiações como o World Habitat Awards, da ONU, e o Zayed Energy Prize, considerado o Prêmio Nobel de energia sustentável.
O Litro de Luz Brasil teve início em 2014 e já impactou mais de 17 mil pessoas diretamente com o apoio constante de 200 voluntários. Sempre ensinando e montando as soluções em conjunto com os moradores das comunidades mais vulneráveis do país, atua em centros urbanos e áreas rurais, incluindo comunidades tradicionais como ribeirinhas, quilombolas e indígenas.
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